Revista de Estudos Criminais

Considerações sobre o lugar do gozo na atualidade: dessimbolização, violência, inveja e ressentimento

Mônica Vasconcellos Delfino Rodrigues.

Resumo: O presente trabalho empreende a interpretação do mal-estar no processo civilizatório e de sua atuação na forma de violência na atualidade. Indica que o ingrediente fundamental da Modernidade é o movimento, a circulação. Aponta a inscrição da Modernidade como uma nova organização psíquica que necessariamente introduz uma subjetividade outra que não se define pelo mundo em que se encontra, mas pelo que encontra no mundo, o que faz, o que transforma. Constata que tal inscrição subjetiva se faz, irremediavelmente, pelo signo da violência: seja a violência fundante seja a violência da ordem do gozo, do abuso, do aniquilamento do outro, da crueldade. Ressalta que este duplo encargo da violência aponta a existência de um excesso que acaba por se manifestar em todos os espaços. Revela a impossibilidade de contenção desta força. Sinaliza, no entanto, a possibilidade de sua gestão ética convidando a insistir no valor do desejo como forma de não sucumbir à barbárie.

Palavras-chave: Mal-estar; processo civilizatório; violência; gozo; excesso; modernidade; limite; desejo.

v.7, n.27, p.139-161